• Miguel Arraes nasceu no dia 15 de dezembro, no município de Araripe, no Ceará. Passou sua infância na cidade, onde fez os primeiros estudos. Depois, mudou-se para a cidade do Crato, também no Ceará, e concluiu o ensino secundário.

  • Aos dezessete anos, foi aprovado no vestibular de Direito, na Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, atual UFRJ, no Rio de Janeiro. Nesta mesma época foi aprovado em concurso para o Instituto do Álcool e do Açúcar, o extinto IAA. Nomeado para o Recife, teve que transferir o curso para a capital pernambucana.Fez carreira no IAA, chegando a assumir o posto de delegado regional.

  • Miguel Arraes destacou-se como delegado do IAA e ganhou prestígio junto ao então presidente nacional do órgão, Barbosa Lima Sobrinho, que venceu as eleições para governador de Pernambuco. Arraes foi nomeado para ser o novo secretário da Fazenda – seu primeiro cargo público na história política de Pernambuco. Cargo que voltou a ocupar também em 1959, no Governo de Cid Sampaio.

  • Miguel Arraes disputou as primeiras eleições da vida dele. Ficou na suplência, mas assumiu a cadeira de deputado, em duas legislaturas, na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

  • Arraes, na condição de secretário da Fazenda do Governo Cid Sampaio, foi chamado pelas forças progressistas para se candidatar a prefeito do Recife. Eleito, sua administração logo ganhou o apoio da população. Fez o traçado urbano do bairro da Imbiribeira, construiu a ponte de Limoeiro, as avenidas Sul, Abdias de Carvalho e Conselheiro Aguiar, concluiu a Avenida Norte e pavimentou com concreto a Avenida Boa Viagem. Criou o Movimento de Cultura Popular, o MCP, que alfabetizou crianças, jovens e adultos pobres, que tiveram também os primeiros contatos com o teatro, a pintura e a poesia.

  • Arraes, com a popularidade em alta, foi eleito governador de Pernambuco, cargo que veio a ocupar por mais duas vezes ao longo da carreira política. Como governador, ampliou mais ainda o MCP. Deu apoio total à luta dos trabalhadores rurais da Zona da Mata por direitos trabalhistas, intermediando a negociação entre camponeses e usineiros, que ficou conhecido como o “Acordo do Campo”. Por esse pacto, os direitos trabalhistas dos camponeses passaram a ser respeitados, os salários da categoria foram regulamentados e ficaram acima do mínimo. Criou ainda um programa de “farmácias populares”, para vender remédios mais baratos à população pobre. Mais tarde esse programa o incentivou a fundar o Lafepe, Laboratório Farmacêutico de Pernambuco, até hoje em funcionamento, que fabrica os remédios que abastecem as farmácias populares.

  • Miguel Arraes foi deposto e preso pelos militares, que golpearam o país e também tiraram do poder o presidente João Goulart.

  • Depois de ser solto por força de um habeas-corpus, Arraes pediu asilo na Embaixada da Argélia, no Rio de Janeiro. Embarcou rumo ao país africano, onde passou 14 anos exilado ao lado da família.

  • Arraes retornou ao Brasil e filiou-se ao PMDB.

  • Miguel Arraes foi eleito o deputado federal mais votado de Pernambuco.

  • Arraes foi eleito, pela segunda vez, governador de Pernambuco. Os programas do seu governo que mais ganharam destaques foram a eletrificação rural, o crédito agrícola e o incentivo à irrigação para os pequenos agricultores, como também o “Chapéu de Palha” – criado para ocupar e gerar renda aos camponeses durante a entressafra da cana-de-açúcar.

  • Miguel Arraes filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro, PSB, e foi eleito o deputado federal mais votado do Brasil.

  • Arraes foi eleito pela terceira vez governador do Estado de Pernambuco.

  • Miguel Arraes voltou à Câmara dos Deputados, onde integrou a base aliada do presidente Lula, a quem indicou o neto e herdeiro político Eduardo Campos para o Ministério da Ciência e Tecnologia.

  • Miguel Arraes morreu no Recife, aos 88 anos. Seu corpo foi velado no Palácio do Campo das Princesas. Uma multidão acompanhou o cortejo até o Cemitério de Santo Amaro, na área central da capital pernambucana, onde seu túmulo até hoje é um dos mais visitados, ao lado do seu neto Eduardo Campos, falecido em 2014, em um acidente aéreo, na mesma data da morte do avô: 13 de agosto.