Voto e cidadania

Aproxima-se o maior momento da cidadania participativa democrática, que é o dia do comparecimento às urnas. A disputa de 2014 irá definir o futuro dos próximos quatro anos para Estados e a própria República.
Com a Copa, o interesse pelas eleições só se tornou maior posteriormente a ela, adentrando no epicentro das preocupações, sob o signo da comoção, com a tragédia da morte do ex-governador e presidenciável pelo PSB Eduardo Campos.
Campos, terceiro lugar nas pesquisas, alçou sua vice, a ex-senadora, ex-ministra e ex-presidenciável Marina Silva, ao patamar de fenômeno eleitoral quando precocemente saiu de cena, tornando-se ele próprio um mito.
Entre os estudiosos, há rejeição significativa da candidata petista, o que não fez o opositor tucano, contudo, disparar. E aí o furacão Marina.
Com efeito, decorridos cerca de vinte anos da polarização entre petistas e tucanos no âmbito federal, somando-se os dois mandatos de FHC, os dois de Lula e o atual exercido por Dilma, e reportando-se, ainda, às manifestações de rua de 2013, o cidadão começou a dar sinais de que cansou da velha política e anseia que escape a essa polarização.
Sejam quais forem as escolhas, é chegado o momento de sair da chorumela e partir para a ação. Definir como, concretamente, desejamos que as nossas escolhas se unam e façam uma realidade melhor.
Inegavelmente, em nada nos aproveita reclamarmos dos políticos, da saúde pública, da educação, dos transportes públicos, se, confrontados com a urna, votamos nulo, votamos em branco ou votamos a esmo.
Qualquer dessas três alternativas só contribui para a vitória eleitoral dos que fazem da política não uma vocação ou um sacerdócio, mas antes o seu avesso.
Imbuída dessa preocupação e honrando as suas tradições de defensora da cidadania, da democracia e da escolha consciente, livre, como ferramenta social transformadora, a OAB-PE resolveu reeditar para 2014 a campanha Vote Limpo, em parceria com a Arquidiocese de Olinda e Recife, com slogan “Quando você vota limpo, o Brasil todo ganha”.
O voto, afinal, não vem com etiqueta de preço, mas invariavelmente consequências ele tem, e quais serão elas, apenas a nós cabe dizer.
Ao tempo, portanto, em que novamente saúdo a iniciativa, por acreditar em mudança social a partir do voto consciente, não cooptado pelo poder econômico ou pelo terrorismo ideológico, pelas promessas vagas, genéricas, fantasiosas, e que dificilmente serão cumpridas, concito o leitor a abraçar a campanha e a fazer a sua parte, não só votando direito, mas abrindo os olhos dos outros para que sigam o bom exemplo.
É a tal coisa: se a união produz verdadeiramente a força, é chegado o instante de comprová-lo, comparecendo ao espetáculo da democracia. Não desistamos do Brasil.

Por Gustavo Henrique de Brito Alves Freire

Fonte: Jornal do Commercio

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