E agora, Brasil?

A aliança de Eduardo Campos/Marina Silva na candidatura presidencial caminhava para a construção de uma síntese programática inovadora combinando a visão econômica e desenvolvimentista de Eduardo com a concepção ambientalista de Marina. A proposta de Eduardo contemplava reformas estruturais na economia, gestão macroeconômica responsável e gestão pública por resultados e pelo mérito. Marina completava incorporando política e gestão ambiental do desenvolvimento econômico. E agora? Com a morte de Eduardo, a síntese programática da candidatura do PSB perde um dos polos da aliança? Na ausência de Eduardo na chapa, passa a predominar a visão de mundo e a concepção de Marina sem o contrapeso desenvolvimentista.
Marina é uma política séria e dedicada a nobres causas. Mas a morte de Eduardo quebrou a síntese que poderia levar a uma estratégia de desenvolvimento que requer crescimento econômico, investimentos em infraestrutura, com destaque para energia, responsabilidade macroeconômica e fiscal, e reformas estruturais em aspectos centrais que estrangulam a economia. Pelo perfil ideológico de Marina, a conservação ambiental pode anular o outro polo do desenvolvimento, travando a modernização e a dinamização da economia, propostas de Eduardo.
Além disso, Marina não demonstra abertura para entendimentos com diferentes setores da sociedade e não tem a mesma desenvoltura e capacidade de negociação e construção de consensos, características próprias de Eduardo. Antes mesmo de ser confirmada como candidata, Marina já anunciou que não vai participar de campanha junto com o PSDB de São Paulo que tem como candidato a vice um político do PSB Márcio França. Será que Marina vai conversar com o agronegócio? Será que encaminhará as reformas econômicas, o ajuste fiscal e reforma do Estado? Como ela pensa lidar com os grandes projetos hidrelétricos, sem os quais o Brasil não tem chances de crescimento econômico nem de atendimento das demandas da população? Estas são perguntas que os eleitores de Eduardo podem estar se fazendo neste momento.
Apesar de algumas diferenças importantes, o candidato Aécio Neves, do PSDB, tem mais afinidade política com Eduardo do que Marina, a julgar pelas declarações e propostas de política econômica e das reformas estruturais, mas também pela concepção de gestão pública que o ex-governador Aécio implementou em Minas. É certo que o eventual presidente Aécio terá dificuldades de trânsito e de aglutinação política que Eduardo demonstrava, principalmente com o PT e com os movimentos sociais. No entanto, a postura muitas vezes intolerante de Marina pode dificultar mais ainda os entendimentos e as negociações políticas para construção de acordos e convergências em torno de medidas e reformas estruturais necessárias ao desenvolvimento do Brasil. Sem estas negociações, ninguém poderá governar nos anos difíceis que teremos pela frente.

Por Sérgio C. Buarque

Fonte: Jornal do Commercio

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